A Coroa do Rei

coroa de espinhos

Era uma fila longa. As pessoas conversavam felizes: “A minha, eu acho, vai estar cravejada de diamantes” – “A minha vai ser reluzente, de puro ouro” – “Se a minha for de prata, não acho ruim, desde de que tenha uns rubis, umas safiras e até umas esmeraldas encravadas… Vai ficar linda”. E assim a fila foi diminuindo. Algumas pessoas estavam tão impacientes que eu as deixei passar a minha frente. Eu não tinha mais pressa, o tempo já não fazia mais sentido. Um a um, recebiam sua coroa, abraçavam o Senhor, choravam, comemoravam como um gol de bicicleta no último minuto da prorrogação da final da copa do mundo. Eu reparei como as coroas eram lindas. Uma senhora recebeu uma enorme. Um senhor uma tão grande que ele de inicio se curvou, mas depois se ajeitou e seguiu.

Quando dei por mim era o último da fila. E então chegou a minha vez.

– Meu filho, vem, entra no reino que eu te preparei. Mas, não tenho mais coroas como aquelas. A sua é diferente.

Ele então trouxe uma coroa feita de espinhos, pequena, seca, recurvada em seus próprios ramos, como “aquela”. Olhei fixamente para a minha coroa, ela dava medo. Olhei de volta para o Senhor, que sorria pra mim. Sorri de volta e perguntei: “Vai doer”. Meu Senhor fez uma careta de repreensão e me disse: “Olhe onde você está.” Eu só pude dizer: “Obrigado Senhor pela minha coroa”. Ele a ergueu e com carinho a colocou na minha cabeça, senti uma sensação muito boa, mas tive a impressão que escorreu sangue, passei a mão e nada, não tinha sangue. Com as mãos pude sentir os espinhos, pontudos, afiados, encravados na minha pele. Eu senti uma leveza, uma felicidade, algo que é impossível explicar. E eu abracei o Senhor e chorei e corri e dei pulos como se defendesse um pênalti no último minuto da prorrogação da final da copa do mundo. Meu Senhor dava risada, satisfeito, tão feliz quanto eu estava.

Eu comecei a andar, passear pelos jardins, percebi que os outros me olhavam e reparavam minha coroa.

Logo eu comecei a sentir um perfume maravilhoso e algumas pessoas começaram a me seguir, estranho, mas o perfume vinha da minha coroa. Levei as mãos esperando tocar os espinhos, mas eles não existiam mais, no lugar deles nasceram flores, e eu de leve as acariciava, todos queriam tocá-la, queriam sentir o perfume. Alguns largaram suas coroas de ouro e correram pedir ao Senhor uma como aquela. E então, todos tinham a sua coroa de espinhos, que floria e exalava o perfume do Nosso Senhor Jesus Cristo.

Rêmulo Vaney Carrozzi.

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3 respostas a A Coroa do Rei

  1. Gerson Pereira Rodella diz:

    Creio que devemos nos apaixonar pela cruz de Cristo e nos sentir atraídos por ela como essas pessaos se sentiram em relação à coroa do Rei.

  2. fabiano silva diz:

    muito bom!
    Linda cronica, belas palavras tocante ao coração e o espirito todos teríamos de pensar seriamento sobre a nossa coroa, que temos feito para que naquele grande dia sermos merecedor de tão grande honra?. Pensam nisso, Jesus te ama.

    • remulovaney diz:

      Obrigado, Fabiano. Q bom q gostou do texto. Espero q leia e comente outros também. E Glórias a Jesus hj e eternamente.

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